Com apenas 17 anos, os gêmeos Arthur e Julia Landell De Moura Bastos, que moram fora do Brasil há mais de sete anos, pediram a emancipação para desenvolver um projeto muito especial: abrir uma ONG para ensinar crianças e adolescentes brasileiros a tocar violino, instrumento que eles aprenderam cedo, com apenas 5 anos. Ambos já fizeram parte de grupos musicais como o “Pequenos Mozart”, “Amadeus” e “Violinos Tropicais”, se apresentando por todo o Brasil e por países como Chile, França, Alemanha e República Tcheca. “Queríamos proporcionar à outras pessoas o mesmo prazer de tocar violino que sentimos quando começamos a aprender. Como é um instrumento musical caro e pouco divulgado, tivemos a idéia de introduzir as aulas em espaços públicos e, assim, disseminarmos essa arte”, explica Julia.

Da idealização do projeto até sua concretização eles encontraram alguns obstáculos, como por exemplo, a enorme dificuldade para conseguirem abrir uma conta bancária em nome da ONG, onde nenhum banco privado aceitou a conta, somente a Caixa Econômica Federal. Outro fator decisivo foi o local para as aulas. Depois de muita pesquisa para a viabilização do projeto, Arthur e Julia encontraram uma forma mais econômica aplicando as aulas em escolas públicas. Essa alternativa foi possível em virtude da lei nº 11.769, sancionada em 2008, que determinou que a música deve ser conteúdo obrigatório em toda a educação básica. Até então, o ensino musical no Brasil era privilégio de crianças cujos pais podiam mantê-las nas instituições particulares. Enquanto a lei veio para mudar esse paradigma, o ensino da música ainda caminha a passos lentos e ainda depende muito do esforço pessoal dos responsáveis.